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Qual será o estado das empresas quando a pandemia terminar?

Qual Será O Estado Das Empresas Quando A Pandemia Terminar?

Numa altura em que todos estamos (ou devemos estar), o mais possível fechados em casa para evitar contágios, é com enorme preocupação que penso no que aí vem. Tenho para mim, (espero estar errado), que o impacto desta crise será bem mais devastador do que a última que sofremos e irá ocorrer muito mais rápido.

O Sr. Primeiro Ministro disponibilizou várias linhas de crédito, no entanto, desde que exista o compromisso de não haver despedimentos. Pode-se suspender e mandar o trabalhador para casa, dividindo os encargos entre entidade patronal e Estado, mas não se pode extinguir o posto de trabalho. Pois bem, parece-me bem que exista algum controlo, mas também tenho a certeza de que isto irá ter um impacto meramente residual e fará mais sentido às grande empresas (note-se que uma grande parte do tecido empresarial Português é composto por PME’s). No entanto, há várias formas de se despedir que certamente não serão contempladas neste programa, nomeadamente:

  • Não renovar contratos de trabalho, (alguém tem dúvidas que praticamente todos os que estão a contrato não irão ver os mesmo renovados?);
  • Despedir quem esteja em outsourcing. Quando contratas em outsourcing, estás a pagar um serviço, por isso estes valores não entram nas contas dos gastos com pessoal e assim, o estado não terá como monitorizar, (se é que o vão fazer). 

Depois há outra questão, as empresas podem até aceitar estas condições, fazem o financiamento, não despedem, mas passam-se meses e não conseguem recuperar nem suportar os encargos com este mesmo financiamento. Acabarão por fechar, despedir na mesma, mas mais endividados do que estavam antes.

Gostava muito de pensar de outra forma, mas será inevitável que milhares, senão milhões de empresas, (em especial micro e pequenas empresas), irão desaparecer nos próximos meses e com isto será destruído milhões de postos de trabalho em todo o mundo.

Para os pequenos empresários, deixo-vos um concelho. Para muitos, (tenho noção que não todos), os últimos anos permitiram arrecadar bastante capital da vossa empresa, por isso agora, mais do que ir a correr aos Bancos procurar estas linhas de crédito, vejam se não têm capacidade pessoal de reforçar os capitais da vossa empresa e esta deve ser a prioridade, no limite “dividam o mal pelas aldeiras”. As linhas de crédito, pese embora possam vir a ajudar a aguentar a crise, vão ser mais um grave endividamento para os próximos anos, anos esses que não irão ser dourados.

Para quem como eu trabalhou na Banca e conhece o perfil da maiorias dos sócios e ainda pelo que me tenho informado com colegas que ainda estão no ativo, há já muitos sócios a pedirem estas linhas de crédito, mas quando lhe falam eu fazer aumentos de capitais, recusam de imediato, (não por não terem capitais disponíveis, mas porque não querem fazê-lo), pretendendo assim deixar todo o risco nestas linhas de crédito.

Que ninguém pense que assim que o vírus desaparecer, as empresas vão poder regressar à sua vida normal, porque vamos levar anos a recuperar o que conseguimos até há uns meses! 

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