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O Governo disponibilizou novas linhas de crédito para apoiar as empresas, mas será que todas vão ter acesso?

O Governo Disponibilizou Novas Linhas De Crédito Para Apoiar As Empresas, Mas Será Que Todas Vão Ter Acesso?

A resposta a esta pergunta será um redondo NÃO! E será culpa do estado? Será culpa dos Bancos? Não, será essencialmente culpa dos sócios, pela má gestão dos últimos anos! 

Há algo que desde os meus tempos da Banca me apercebia nas empresas e que me fazia uma enorme confusão. Os sócios tudo faziam para não pagar impostos, ou para pagar o menos valor de impostos possível, fugindo a faturar sempre que possível. Isto pese embora esteja errado, não seria por si só um problema, não fosse muitas dessas empresas mais tarde irem necessitar de crédito e fazerem-no junto da Banca. Por várias vezes senti tive de dizer a clientes que as contas da empresa não eram boas e que não seria fácil (para não dizer impossível), conseguir tudo o que me estavam a pedir, e quantas vezes tive como resposta, “vocês sabem perfeitamente que nós ganhamos muito mais do que isto”. Pois bem, não se se trata de saber ou não saber, trata-se de contar apenas e só com o que realmente está contabilizado. Já lá vai o tempo em que os depósitos em numerário ajudavam a justificar estes números, já há algum tempo que os Bancos são bastante mais exigentes e apenas consideram o que é faturado. Nesta altura, o que se irá passar é que muitas das empresas que fugiram aos impostos anos a fio hoje, que precisam desesperadamente de capital para aguentarem os próximos meses e retomarem os seus negócios quando isto estabilizar, irão ver o acesso a estes créditos negado. E vão culpar os Bancos, vão culpar o Governo, mas os únicos culpados serão eles próprios, que preferiam fugir aos impostos, deixando as contas das empresas fracas, ou mesmo negativas ano após ano e hoje os números ditam que não é uma empresa que valha a pena salvar, ainda que a realidade possa não ser essa.

Para quem não percebe como funcionam estas linhas de financiamento, os Bancos apesar de serem quem empresta, não assumem todo o risco. Pelo contrário, grande parte do valor financiado será garantido por sociedades de garantia mutua, pelo que, não serão apenas os Bancos a analisar os possíveis financiamentos, estas sociedades também o irão fazer e se eles vêm que a empresa está numa situação económica fraca, já antes disto tudo, (com capitais próprios negativos por exemplo, como muitas terão certamente), irão recusar o acesso ao crédito e a empresa ou é salva pelos capitais do sócio, ou vai fechar simplesmente.

Que isto sirva de lição para o futuro! Quem empresta, quer receber e se as contas da empresa não demonstram capacidade para o fazer, não adianta dizer que “recebem por fora”, porque isso não será considerado e o acesso ao crédito que nunca foi tão necessário como hoje, será negado. Infelizmente, muitos dos pequenos comércios e pequenos restaurantes estarão neste lote e estas novas linhas de crédito, de nada servirão.

NOTA: Isto aplica-se não só a empresas, como a particulares. Já tivemos centenas de clientes particulares a pedirem crédito, que dizem receber X€ por fora, mas isso não conta para nada e o acesso ao crédito fica restrito ou condicionado. 

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